quarta-feira, 23 de março de 2011

 Morre Elizabeth Taylor aos 79 anos 

 

Justiça do Rio autoriza exumação do corpo de Tim  Maia
Fernando Sampaio/ 02.08.1996/ Agência Estado

A Justiça do Rio autorizou nesta terça-feira (22) a exumação do corpo do cantor Sebastião Rodrigues Maia, mais conhecido como Tim Maia. O pedido foi feito por uma suposta filha do artista, falecido em 1998. Ela entrou com ação de investigação de paternidade na 2ª Vara de Família da Barra da Tijuca, na zona oeste, que permitiu a realização do exame de DNA nos restos mortais do artista em dezembro passado. Porém, os herdeiros do cantor, irmãos e seu filho, Carmelo Maia, recorreram da decisão, alegando que eles próprios poderiam fornecer o material para o exame.
Para o relator, o exame de DNA realizado em parentes de primeiro grau não possui a mesma precisão do que aquele realizado no próprio genitor. Para o desembargador, não há qualquer prejuízo com a realização da exumação.

Com a citação de trechos de músicas do cantor, o relator, o desembargador Guaraci de Campos Vianna, rejeitou também a alegação dos herdeiros de que a exumação, após 12 anos da morte de Tim Maia, seria um profundo desrespeito ao sentimento da família, causando profundo trauma e constrangimento moral.

- Na verdade a vida do consagrado artista é um espelho e o que se vê através dele são as suas obras, músicas principalmente. A exumação do seu cadáver não causará qualquer sacrifício insuportável, dor ou trauma como argumenta a agravante. A alma e o espírito do suposto pai não serão incomodados e certamente estarão em estágio que o falecido, quando vivo, apregoava na sua música ‘sossego’. Não deu a agravante ‘motivos’ suficientes para o provimento do agravo.

A visita de Barack Obama ao Brasil foi  cercada de uma série de expectativas e simbolismo. O primeiro aspecto a se destacar é o momento vivido pelos Estados Unidos tanto em âmbito interno quanto externo. Internamente, os resquícios da crise econômica recente, fruto da má gestão governamental, em termos de regulação das atividades financeiras e da própria estagnação dos modelos produtivos locais,  não parece dar sinais de superação no curto prazo. E, se por um lado a eleição de Obama simbolizou uma retomada da esperança entre os cidadãos americanos, de outro, a aparente dificuldade da administração em implementar as mudanças prometidas durante a campanha aumenta a pressão sobre o presidente por resultados e dá combustível à oposição no questionamento das decisões tomadas.
Essas várias frentes de confrontação interna podem explicar o conservadorismo com o qual os Estados Unidos têm levado sua política externa, estratégia cautelosa para não abrir mais trincheiras no plano político interno. Diante desse quadro, o país busca renovar parcerias tradicionais e buscar novas e estratégicas, prova disso têm sido as manifestações do presidente Obama, que nega o papel de dar solução solitária de crises internacionais. O reforço, portanto, a determinadas instâncias multilaterais não surge da crença nas mesmas. Ao contrário, nasce da percepção de que novas aventuras internacionais aumentam as desconfianças com relação aos EUA e também fazem subir a pressão sobre o orçamento nacional, prejudicando o contribuinte e provocando resultados eleitorais indesejados.
A preocupação maior dos Estados Unidos parece ser, portanto, antes evitar que o sistema internacional aumente as pressões sobre a sua política externa do que, efetivamente, fazer avançar o rearranjo de forças. Isso explicaria a rejeição velada em considerar o Brasil uma liderança no Sistema Internacional. O Brasil reconhece a liderança americana e reclama de forma justa o reconhecimento por parte de Washington do protagonismo brasileiro que vem se consolidando nos últimos anos.
No imaginário dos tomadores de decisão do Brasil, reclames históricos como a necessidade de reformular organismos internacionais – como o Conselho de Segurança das Nações Unidas – são cada vez mais inadiáveis. Porém, por não ser uma potência global consolidada, o Estado Brasileiro, de certa forma, necessita do endosso de outros atores para suas pretensões. O fato de a Casa Branca apoiar ambições semelhantes de outros atores – caso do endosso de Obama a uma vaga para Índia como membro permanente no Conselho de Segurança, pode indicar que o Brasil ainda não é o parceiro estratégico no tabuleiro político que os EUA vêm buscando.
Conclui-se que os EUA ainda possuem bastante dificuldade em lidar com o surgimento de uma liderança continental que possui discurso autonomista. Isto, porém, não quer dizer que não haja um reconhecimento da crescente importância do Brasil em vários âmbitos das relações internacionais, particularmente no plano econômico e estratégico, principalmente do ponto de vista energético. Ciente disso Obama veio ao Brasil, para dar impulso material a uma relação que não pode viver de simbolismo.

Creomar Lima Carvalho de Souza* - É mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, analista político e professor de Relações Internacionais na Faculdade Ibmec/DF. Foi Visiting Faculty no Instituto de Ciência Política da University of Florida.

 México

Carlos Pascual sai no meio Wikileaks na qual ele duvidava da capacidade do México para combater gangues de drogas 

Carlos Pascual 

MEXICO'S DRUGS WAR GUERRA DO MÉXICO DROGAS

US Ambassador to Mexico Carlos Pascual has resigned amid a row over leaked diplomatic cables in which he doubted Mexico's ability to tackle drug gangs. Embaixador dos EUA para o México Carlos Pascual renunciou em meio a uma disputa sobre vazou cabos diplomática na qual ele duvidava da capacidade do México para combater gangues de drogas.
The dispute flared last month when Mexican President Felipe Calderon accused Mr Pascual of "ignorance". A disputa queimado no mês passado quando o presidente mexicano, Felipe Calderón, acusou o Sr. Pascual de "ignorância".
He said the US cables, released by Wikileaks in December, had harmed ties. Ele disse que os cabos dos EUA, divulgado pelo Wikileaks, em Dezembro, tinha laços prejudicado.
The US is backing Mexico's war against drug-trafficking with more than $1bn (£600m) in equipment and training. Os EUA estão a apoiar a guerra do México contra o narcotráfico com mais de US $ 1 bilhão (R ​​$ 600 milhões) em equipamentos e treinamento.
The two countries have also increasingly been sharing intelligence in a bid to tackle the drug gangs as violence continues to take a heavy toll in Mexico, with more than 34,000 killed since late 2006. Os dois países também têm sido cada vez mais o compartilhamento de inteligência em um esforço para combater as gangues de drogas, a violência continua a tomar um pedágio pesado no México, com mais de 34.000 mortos desde o final de 2006.
It emerged earlier this month that the US has been sending unarmed surveillance drones over Mexico to gather information on the major drug traffickers. Ele surgiu no início deste mês que os EUA tem estado a enviar drones de vigilância desarmada sobre o México, para reunir informações sobre os traficantes de drogas.
US Secretary of State Hillary Clinton said Mr Pascual had decided to step down due to "his personal desire to ensure the strong relationship between our two countries and to avert issues raised by President Calderon that could distract from the important business of advancing our bilateral interests". EUA A secretária de Estado Hillary Clinton disse Pascual decidiu renunciar devido a "seu desejo pessoal para garantir a forte relação entre os nossos dois países e evitar questões levantadas pelo presidente Calderón que poderia distrair a partir do negócio importante de avanço dos nossos interesses bilaterais" .
She said she and President Barack Obama had accepted his resignation with "great reluctance". Ela disse que o presidente Barack Obama aceitou a sua demissão com o "grande relutância".
Mr Pascual's decision to leave comes less than a fortnight since Mr Calderon held talks with President Barack Obama in Washington. decisão do Sr. Pascual para sair vem menos de duas semanas desde que o Sr. Calderón se reuniu com o presidente Barack Obama em Washington.
'Ill-feeling' "O mal-sentimento"
The Mexican president had not hidden his anger at the remarks made by Mr Pascual in the diplomatic cables, and reportedly asked for the ambassador to be removed from his post. O presidente mexicano não tinha escondido a sua ira em observações feitas pelo Sr. Pascual nos cabos diplomática, e, segundo o embaixador pediu para ser afastado do cargo.
"I do not have to tell the US ambassador how many times I meet with my Security Cabinet. It is none of his business. I will not accept or tolerate any type of intervention," Mr Calderon said in February, in an interview with Mexico's El Universal newspaper. "Eu não tenho que dizer o embaixador dos EUA quantas vezes eu me encontro com o meu Gabinete de Segurança. Não é da sua empresa. Eu não vou aceitar ou tolerar qualquer tipo de intervenção", Calderón disse que em fevereiro, em uma entrevista com o México O jornal El Universal.
"But that man's ignorance translates into a distortion of what is happening in Mexico , and affects things and creates ill-feeling within our own team." "Mas traduz essa ignorância do homem em uma distorção do que está acontecendo no México, e afeta as coisas e cria mal-estar dentro da nossa própria equipe."
O presidente Felipe Calderón em uma foto de arquivo de setembro de 2010 
 
President Calderon launched his crackdown on the drug gangs after taking office in December 2006 Presidente Calderon lançou sua ofensiva sobre as gangues de drogas depois de tomar posse em dezembro de 2006
Mr Calderon also told the Washington Post that bilateral relations had suffered "serious damage" because of the US diplomatic cables. Calderón também disse ao Washington Post que as relações bilaterais sofreram "danos graves" por causa dos cabos diplomática dos EUA.
The Mexican presidency said on Saturday that ties between the two countries remained solid despite Mr Pascual's resignation. A presidência do México, disse neste sábado que os laços entre os dois países mantiveram-se sólidos, apesar da demissão de Pascual.
In his cables, released by Wikileaks and published by The Guardian newspaper, Mr Pascual questioned whether President Calderon could win his war on drugs, saying the various security agencies were often at odds. Em seus cabos, lançado pela Wikileaks e publicada pelo jornal The Guardian, o Sr. Pascual questiona se o presidente Calderón poderia ganhar sua guerra contra as drogas, dizendo que os órgãos de segurança se várias vezes em contradição.
The Mexican security forces, he said, were slow and risk-averse. As forças de segurança mexicanas, disse ele, eram lentos e avessos ao risco.
Mr Pascual, a Cuban-American expert in failed states, is a career diplomat. Sr. Pascual, especialista cubano-americana em Estados falidos, é um diplomata de carreira.

Brisa faz transferência compulsiva de trabalhadores-Portugal

O sindicato que representa os operadores de portagem da Brisa acusa a empresa de proceder a transferências de trabalhadores, nalguns casos para "centenas de quilómetros de distância", para os "cansar" e conseguir "rescisões de contratos". O deputado do Bloco Heitor de Sousa reuniu com os trabalhadores.
O sindicato que representa os operadores de portagem da Brisa acusa a empresa de proceder a transferências de trabalhadores, nalguns casos para "centenas de quilómetros de distância", para os "cansar" e conseguir "rescisões de contratos". O deputado do Bloco Heitor de Sousa reuniu com os trabalhadores.
O deputado do Bloco Heitor de Sousa reuniu com os trabalhadores, esta segunda-feira, no Centro Operacional da Brisa, em Vendas Novas. Foto de Hugo Evangelista.
"A Brisa está a desactivar os serviços todos nas regiões e a substituir os portageiros por máquinas. O que pretende, e foi o que disse a certa altura, é despedir os trabalhadores", criticou Manuel Guerreiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP).
O CESP falou à Lusa depois de uma reunião, nesta segunda-feira, no Centro Operacional (CO) de Vendas Novas da Brisa, com trabalhadores das portagens, na qual também participou o deputado do Bloco Heitor de Sousa.
A reunião serviu para abordar o efeito da instalação das máquinas automáticas de cobrança de portagens (E-TOLL’s) na rede de autoestradas da Brisa, o que tem levado ao "despedimento de muitas pessoas", frisou.
"No Alentejo, estamos a falar de centenas de trabalhadores, que não se vão embora porque não têm alternativas de emprego", disse, exemplificando que entre o CO de Vendas Novas e o antigo CO de Estremoz "há 78 portageiros". Destes, apenas "vão ficar 25", colocados no CO de Vendas Novas, que está a ser reestruturado.
Neste contexto, acusou, a Brisa está "a transferir pessoas de Elvas para Coina, de Coina para Lisboa, de Almodôvar para Paderne" e vice-versa, num "corrupio constante de mudanças que alteram a vida e destroem a saúde das pessoas".
O objectivo destas alegadas transferências, que em alguns casos "chegam às centenas de quilómetros", é o de "cansar" os trabalhadores, para que estes "aceitem a rescisão de contratos", segundo o CESP.
"O Estado, que é dono das autoestradas, está a aceitar tudo isto e está a aceitar que esta empresa", que pretende que "1300 trabalhadores rescindam" os contratos, "todos os anos aumente os lucros", argumentou o dirigente sindical, assegurando que a Brisa vai atingir, em 2011, "mais de 700 milhões de euros de lucros líquidos".
"A situação é inaceitável"
Ao Esquerda.net, o deputado Heitor de Sousa anunciou que o Bloco irá apresentar um projecto de resolução no sentido de denunciar a situação de “pressão inaceitável” a que aqueles trabalhadores estão sujeitos e para que seja impedido a empresas com lucros – como é o caso da Brisa que em 2010 aumentou os lucros em 400 por cento – despedir trabalhadores. “As empresas não podem demitir-se do seu papel social”, afirmou Heitor de Sousa.
Além disto, acrescentou o deputado, a situação nas regiões do interior é particularmente grave pois aí a Brisa é uma das já poucas grandes empresas empregadoras. “A substituição dos portageiros por máquinas também reduz consideravelmente a qualidade dos serviços prestados”, disse ainda o deputado.

Israel ataca Faixa de Gaza e faz 17 feridos

A aviação israelita efetuoucinco ataques à Faixa de Gaza contra instalações do movimento islamita Hamas que provocaram 17 feridos, duas delas são crianças.
Israel ataca Faixa de Gaza e faz 17 feridos
Sete mulheres e duas crianças, estão entre os 17 feridos, afirmou o porta-voz dos serviços de urgência na Faixa de Gaza, Adham Abu Selmiya. Foto Mohammed Saber/EPA/LUSA
 
A informação é avançada pela AFP, que citando fontes palestianas, refere que os raides aéreos visaram um centro da polícia do Hamas, no Norte do território, campos de treino do seu braço paramilitar, as Brigadas Ezzedine al-Qassam e uma fábrica de materiais de construção na periferia da cidade de Gaza.
Sete mulheres e duas crianças, estão entre os 17 feridos, na maioria ligeiros, afirmou o porta-voz dos serviços de urgência na Faixa de Gaza, Adham Abu Selmiya.
O exército israelita recusou fazer qualquer comentário sobre a operação.
A aviação de Israel bombardeou ainda ao menos três posições na zona da cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, sem causar vítimas.
Na primeira acção contra Khan Yunis o alvo era um grupo de activistas palestinianos, que conseguiu escapar. Um outro ataque atingiu o governo local e o terceiro visou um terreno sem construções.
A acção ocorre após as Brigadas Ezedin Al Qasam se declararem dispostos a respeitar as tréguas, desde que Israel "cesse a sua agressão" contra o território palestiniano.
"Se o inimigo contiver a escalada e a agressão contra o nosso povo, poderemos agir de acordo com o consenso nacional palestiniano", expressou o Hamas sobre o cessar fogo anunciado pelo movimento islâmico em Janeiro de 2009, após uma grande operação militar de Israel. "Mas o inimigo pagará um alto preço se prosseguir com a agressão e crimes contra o nosso povo na Faixa de Gaza".
Na madrugada desta terça-feira, um disparo procedente de Gaza atingiu o sul de Israel, poucas horas após um foguete explodir na cidade israelita de Ashkelon, na zona da fronteira. Os dois ataques não deixaram feridos.
No sábado, as Brigadas Ezedin Al Qasam fizeram mais de 50 disparos de morteiro contra o território israelita, após a morte de dois de seus militantes nos dias precedentes.
Nesta segunda-feira, o vice-ministro israelita das Relações Exteriores, Dany Ayalon, ameaçou de morte os líderes do Hamas caso estes prossigam com os ataques a Israel.
As populações tradicionais e as hidrelétricas do Madeira
 
 
 
 
[Kayapó dançam durante protesto contra hidrelétrica  © T Turner]

Hidrelétricas: confirmação de conflitos e impactos

Hidrelétricas em construção na Amazônia Brasileira põem em risco de extinção populações tradicionais, entre elas povos indígenas, a exemplo das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau no Madeira que estão sendo construídas próximas a territórios de quatro povos indígenas em situação de isolamento e risco, os quais desconhecem que grande parte de suas terras está ameaçada e sujeita a destruição. A política indigenista do governo que deveria garantir a proteção desses povos livres tem em seu primeiro plano os grandes projetos. Em nome de um "desenvolvimento” continua ferindo e matando culturas milenares antes mesmo da sociedade ter conhecimento dessas culturas, em contradição à Constituição Federal e a Convenção 169 da OIT que reconhecem ser o Brasil um país pluriétnico.

A triste situação provocada pelos operários na Usina Hidrelétrica de Jirau está confirmando as conseqüências trazidas por estes mega-empreendimentos. Este e outros empreendimentos, além de desrespeitar as populações locais (ribeirinhos, indígenas, quilombolas...), não trata com dignidade os operários que dia a dia arriscam suas vidas nos canteiros de obras, sem condições dignas de trabalho e sem remuneração adequada. E quando reagem a esta situação são taxados como bandidos e vândalos.

Com indignação repudiamos a atitude dos governos estadual e federal em utilizar forte aparato policial para dar segurança a empresas que visam apenas o lucro, enquanto trabalhadores vivem em situação de superexploração; salários baixos; longas jornadas de trabalho; sem atendimento adequado à saúde; transporte de péssima qualidade; falta de segurança e como resultado ainda são ameaçados de demissão. Esta é a realidade vivenciada pelos operários na hidrelétrica do Jirau. Tal atitude do governo cria mais tensões para a sociedade rondoniense, pois o governo que deveria propor segurança para o povo e melhores condições de trabalho para os operários através dos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo convocam a Força Nacional para calar a voz popular que grita por justiça e direitos que lhes são garantidos por lei.

As hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, têm sido palco de ocorrências de desrespeito a legislação trabalhista: denúncia de trabalho análogo ao escravo, impactos ambientais e sociais, transgressões aos direitos das comunidades tradicionais, colapso nos serviços e espaços públicos (hospitais, ruas, escolas, postos de saúde...), alto custo de vida, tendo a taxa do transporte coletivo um das mais altas do país. A insegurança e o medo estão tomando conta dos moradores da capital.

O alerta dos trabalhadores de Jirau soma-se com tantos outros alertas observados não apenas no Brasil, e comprova que os grandes projetos só trazem propagandas ilusórias para a grande massa popular, a exemplo da taxa de energia elétrica em Rondônia, uma das mais caras do país, bem como o crescente desemprego.

Diante de todos os dados já divulgados, acreditamos que os operários são tão vítimas quanto as populações tradicionais, dentre elas os povos indígenas, e toda a biodiversidade fauna e flora. O que nos deixa ainda mais indignados é o fato da mídia sempre estar a serviço dos que detêm o poder, omitindo a verdadeira situação e posição dos trabalhadores.

O Conselho Indigenista Missionário Regional Rondônia, na defesa da vida, une-se nesse momento trágico aos operários de Jirau, que nas suas manifestações conclamam por justiça e direito e exigem que a voz dos trabalhadores seja ouvida e tenha tratamento digno e humano.

Não podemos aceitar que num país dito "democrático” e "popular”, com leis que regem os direitos humanos, ainda prevaleça o modelo de escravidão e exploração entre patrões e operários.


Usinas hidrelétricas do Complexo Rio Madeira: bombas de efeito retardado

Falta de planejamento e omissões por parte das empresas e do governo na construção das usinas hidrelétricas e em relação aos impactos nos permitem prever catástrofes no futuro.

Rebelião no Jirau

Os rondonienses assistiram perplexos na TV ou por internet a um espetáculo apocalíptico assustador: no sítio do Jirau (RO), local da maior obra do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) no Brasil, grande parte das instalações da Camargo Corrêa, empresa responsável pela construção da hidrelétrica, virou cinzas. A revolta dos trabalhadores descontentes não pôde ser controlada pelas forças de segurança. Assim, foram queimados mais de 40 ônibus, carros, casas de alojamento, lan house, etc. Na noite do dia seguinte, a Camargo Corrêa noticiou que tudo voltara ao normal (!) e chamou os trabalhadores de volta. Informou também que medidas de segurança foram reforçadas.

Assim, falta segurança no Jirau! É preocupante saber que o ditado popular: "o brasileiro fecha a porta só depois que o ladrão entra!” se verifica também com uma empreiteira desse porte. Se a Camargo Corrêa não pôde prever uma rebelião com operários que vê todos os dias, quanto menos está preparada para imprevistos provocados por causas naturais, como no caso de mudanças climáticas! É de dar arrepio!

Mas não é a primeira vez que se verifica a falta de planejamento num empreendimento desse porte. Nos primeiros dias da construção da UHE de Santo Antônio, com as primeiras explosões de pedras da cachoeira, toneladas de peixes ficaram represadas e morreram por asfixia. Se essa catástrofe ecológica, entretanto limitada, nos assustou, nos preocupa muito a falta de previsão nos estudos de impactos ambientais (EIA-RIMA) aprovados pelo IBAMA. Esses fatos estão abrindo em nossas mentes uma brecha onde entrevemos a possibilidade de impactos bem maiores tanto a nível social como ecológico.

Em janeiro deste ano, a Camargo Corrêa afirmou para uma autoridade do município de Guajará-Mirim, em visita ao canteiro de obras, que "desde o início das obras do Jirau, houve apenas dois óbitos de operários”. O informante da empresa só pode ter minimizado os dados, visto que, em 2010 operários do Jirau já relatavam mortes de algum membro de sua equipe no trabalho. Não entendemos a falta de transparência da empreiteira: a desconfiança aumenta e aquela brecha vai se abrindo mais.

As empresas têm respostas para todos os problemas. Pelo menos, na fala ou no papel. Na realidade, a coisa é diferente. No Distrito de Jaci-Paraná, até agora não vimos resultados com os projetos disso ou daquilo para "minimizar” os impactos sociais. Pelo contrário, a violência, os homicídios, a venda de bebida e a prostituição aumentaram consideravelmente e o Executivo municipal reconhece que a situação está fora de controle. No referido distrito, dezenas de operários encontraram a morte em decorrência de brigas nos bares. Um jovem trabalhador de Guajará-Mirim foi encontrado morto debaixo das rodas de um caminhão onde tinha sido arrastado pelos agressores para disfarçar um acidente.

No início da construção da UHE de Santo Antônio, indígenas sem contato foram avistados nas proximidades do canteiro de obras. Com a comprovação da presença de vestígios, uma liminar suspendeu os trabalhos até que fosse realizado um inquérito aprofundado pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O órgão indigenista oficial se omitiu; Furnas ignorou a liminar, e as obras prosseguiram. Os indígenas não foram mais encontrados e não sabemos se, por um tempo, conseguiram fugir ou se, em nome do progresso, mais um massacre foi perpetrado!

Contaminação pelo mercúrio: sigilo e omissão


Uma bomba de efeito retardado será acionada no dia que serão fechadas as comportas do Jirau. Com a alagação de antigos locais de garimpo da margem direita do rio Madeira, toneladas de mercúrio serão levadas até o leito do rio, agravando a contaminação existente. Na década de 1980, centenas de dragas contaminaram diretamente o leito do rio Madeira. O metal transformado em metilmercúrio é absorvido pelo plâncton e chega até o homem que se alimenta de peixe, através da cadeia alimentar. O peixe não tem fronteiras e percorre centenas, até milhares de quilômetros.

Estudos científicos realizados na década de 1990 e cujos resultados foram publicados nos cadernos da Fiocruz, em 2003, comprovam que a população indígena do município de Guajará-Mirim, cuja dieta principal é o peixe, tem um teor de mercúrio acima do tolerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Foi relatado o caso de uma criança cuja taxa de mercúrio atingiu 20 vezes o valor limite. As consequências na saúde são gravíssimas. O mercúrio é responsável por más formações neurológicas durante a vida fetal e, por ser cancerígeno, pelo aumento de casos de câncer, e, principalmente, de leucemia e linfoma, doenças raras e gravíssimas, levando, muitas vezes, ao óbito. Em julho de 2008, dois adultos do povo Oro Wari’, internados no Hospital de Base de Porto Velho, um com leucemia aguda e o outro com linfoma de Hodgkin, faleceram com poucos dias de diferença um do outro.

A partir dos anos 1990, o aumento assustador de casos dessas doenças na população indígena e ribeirinha do município de Guajará-Mirim só pode ser explicado pela contaminação por mercúrio.

O monitoramento da taxa de mercúrio na população indígena foi solicitado pela bioquímica responsável pelo estudo, entretanto, depois de 15 anos, ainda não aconteceu. O Ministério Público Federal, que está a par da situação, está se empenhando para que seja realizado um novo estudo. Estamos aguardando.

Se com o garimpo de ouro o rio Madeira tornou-se um "depósito” de mercúrio, isso não justifica que continue a receber tal substância. É lamentável a irresponsabilidade de órgãos ambientais oficiais, como a SEDAM, que anos atrás autorizou o funcionamento de 20 dragas de garimpo no rio Madeira, perto de Porto Velho. Mais recentemente, o Ibama também decidiu fornecer a licença ambiental para Jirau, como se acrescentar toneladas de mercúrio no rio Madeira fosse algo insignificante. A contaminação já existe, mas, maior a contaminação, maior a incidência de casos de câncer, leucemia e malformações fetais, atingindo ribeirinhos de três países: Brasil, Bolívia e Peru; e isso, por centenas de anos. São milhares de pessoas que adoecerão e muitas irão a óbito prematuramente. Infelizmente, não estamos falando de probabilidade como no caso de um país vulcânico que constrói usinas atômicas, mas de certeza.

Apesar da necessidade de se criar mais empregos, nossa consciência relutaria em aceitar a construção de uma usina de armamentos cujas armas seriam vendidas a países em guerra, não é mesmo? Entretanto, cientes dos impactos do Jirau como podemos se conformar com a construção dessa UHE que a longo prazo terá conseqüências semelhantes?

No conceito dos países europeus, a energia hidrelétrica é a menos poluidora. Entretanto, nenhuma barragem na Europa alagou áreas de garimpo. A preocupação dos países da União Européia com a contaminação pelo mercúrio é tal que foi proibida a venda de termômetros de mercúrio. Como vão reagir os europeus quando souberem que objetos de alumínio importados do Brasil foram fabricados com energia proveniente de barragens da Amazônia que alagaram áreas de garimpo, agravando a contaminação de indígenas e ribeirinhos de três países? Por outro lado, para os responsáveis da empresa GDF-Suez, que tem mais de 50% das ações do Jirau e que é a primeira empresa europeia de produção de energia, o lucro prevalece. Os países da Europa procuram o ecológico mais correto dentro de suas fronteiras! Cabe ao Brasil criar essa consciência. Cabe a nós, brasileiros, abrir os olhos para analisar com coragem os impactos do "bezerro de ouro” do desenvolvimento e descobrir quem são os principais beneficiados. Somos a favor do bem estar, mas não a qualquer preço!

[Fonte: CIMI Rondônia e equipe Guajará-Mirim].
El Salvador
Governo e movimentos reivindicarão a Obama Lei de Imigração ampla


Em visita à América Latina, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desembarcará em El Salvador amanhã (23). Na pauta de reivindicações do governo, da Igreja e dos movimentos sociais, o principal ponto é uma lei de imigração ampla, que garanta situação legal aos imigrantes oriundos de El Salvador.

Cerca de 2,8 milhões de salvadorenhos vivem nos Estados Unidos e apenas 217 mil estão amparados pelo Programa de Imigração Temporária (TPS, na sigla em inglês), que lhes permite morar e estudar no país. O programa, lançado em 2001, quando terremotos arrasaram El Salvador, acabará em março de 2012. Os salvadorenhos são o terceiro maior grupo hispânico presente nos EUA, principalmente na capital Washington, e suas remessas constituem em torno de 13% da economia de seu país de origem.

O presidente salvadorenho Mauricio Funes afirmou que na reunião com Obama solicitará residência permanente para os beneficiados do TPS. O chanceler da República, Hugo Martínez, declarou que a intenção do governo é verificar, junto à Obama, a possibilidade de uma reforma imigratória para salvadorenhos que atendam a alguns critérios.

"Estamos pedindo uma solução integral para salvadorenhos com dez anos de vida nos Estados Unidos, com documento de permanência, que paguem seus impostos, respeitem as leis e tenham negócios próprios”, explicou. Apesar de reconhecer que o tema enfrenta oponentes no Congresso estadunidense, Martinez acredita que Obama proporá uma solução.

Para fortalecer o coro, o arcebispo de San Salvador, monsenhor José Luis Escobar Alas, afirmou que a Igreja espera que os Estados Unidos avancem na definição de uma reforma imigratória integral e que isso seja feito na atual gestão.

"Oxalá que esta visita beneficie a nossos irmãos imigrantes, que o tratamento seja mais digno, que não haja leis que os criminalizem injustamente sendo inocentes, somente porque cruzaram a fronteira”, disse.

Durante a campanha presidencial, em 2008, Obama prometeu que, no primeiro ano de mandato, pautaria o debate e a aprovação de uma reforma imigratória ampla. Em entrevista concedida ao site La prensa gráfica, o presidente afirmou que esta "tem sido e continuará sendo uma prioridade de minha gestão”.

Ele classificou o sistema de imigração como "falido”, mas salientou que precisa do apoio do Congresso e do Senado para qualquer reforma. Disse ainda que tem trabalhado para que, por meio de um consenso, seja aprovada uma reforma integral "que honre a história de nosso país de ser uma nação que respeita o Estado de Direito e valoriza a diversidade”.

Além da Lei de Imigração, o mandatário discutirá com o governo de El Salvador temas como segurança, luta contra a pobreza, cooperação econômica e energias renováveis.

Como a lei repercute nos Estados Unidos

O clima para aprovar qualquer reforma imigratória é considerado hostil no país. Entre 2005 e 2010, a lei de reforma imigratória foi debatida pelo menos seis vezes no Congresso estadunidense, sem avanços. Em dezembro do ano passado, o Senado não conseguiu os votos necessários para aprovar uma lei imigratória que beneficiava cerca de 850 mil estudantes em situação irregular.


No ano de 2006, o Comitê de Conferência deveria fazer alterações em um projeto aprobado pelo Comitê Legislativo e em outro projeto do Senado, para transformar tudo em um texto único. Entretanto, a liderança republicana no Senado conseguiu cancelar os trabalhos, argumentando que o projeto poria em risco a segurança nacional.

Grupo protesta contra instalação de Angra 3 no Rio

Ambientalistas afirmam que população não está preparada para reagir a um acidente
 Agência Estado
Marcos de Paula/Agência Estado 
Marcos de Paula/Agência Estado
Ambientalistas protestam contra usina nuclear em Angra dos Reis (RJ)
Ambientalistas protestaram nesta terça-feira (22) contra a instalação da usina nuclear Angra 3 na cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O grupo promoveu uma caminhada na cidade.
Os organizadores da manifestação afirmam que a população não está preparada para reagir a um acidente grave, que os hospitais da região são precários e não conseguiriam atender à demanda, além da má conservação da Rodovia Rio-Santos, única rota de fuga para os moradores.
O protesto foi convocado em apoio aos atingidos pela tragédia no Japão, que sofre com efeitos de acidentes nos reatores da cidade de Fukushima.

Khadafi reaparece e volta a prometer vitória, “no curto ou no longo prazo”

O líder líbio ainda disse que sua defesa aérea é o povo

Khadafi reaparece e volta a prometer vitória no curto ou no longo prazo <br /><b>Crédito: </b> AFP / TV Líbia

Khadafi reaparece e volta a prometer vitória no curto ou no longo prazo
Crédito: AFP / TV Líbia
O líder líbio, Muammar Khadafi, fez sua primeira aparição em público desde o início da ofensiva ocidental no país e prometeu, mais uma vez, derrotar as tropas da coalizão estrangeira. “No curto prazo, venceremos. No longo prazo, venceremos”, disse Khadafi, em uma suposta aparição ao vivo na TV estatal do país, feita em Bab Al Aziziya, local próximo a Trípoli que foi bombardeado recentemente pelas tropas estrangeiras.


As tropas de Khadafi continuam em confronto com os rebeldes do país, enquanto uma coalizão liderada pelos Estados Unidos, pela França e Grã-Bretanha, autorizada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), atacam alvos do governo na Líbia.

Em discurso de três minutos, feito de uma sacada diante de um grupo de simpatizantes, Khadafi disse que a “mais poderosa defesa aérea” de seu país “é o povo”. “Aqui está o povo. Khadafi está no meio do povo. Esta é a defesa aérea”. O líder líbio se disse vítima de uma nova cruzada lançada “contra o Islã”. ”Todos os exércitos islâmicos devem tomar parte na batalha.” afirmou.

Voto do Brasil irrita rebeldes em Benghazi

 

Rebeldes líbios criticam governo brasileiro por abstenção no Conselho de Segurança


Lourival Sant'Anna
BENGHAZI - O comboio leal ao ditador Muamar Kadafi, que se dirigia para Benghazi quando foi destruído pelos caças-bombardeiros franceses na noite de sábado, estendia-se por uma faixa de 30 quilômetros na saída oeste da "capital rebelde". Os benghazis visitam agora esse cemitério de veículos militares e têm certeza daquilo que os esperava naquela noite: seriam trucidados.  
"Veja o presente que Kadafi trazia para Benghazi", brinca Najib Shekey, engenheiro eletricista de 30 anos. Sua sensação é a de que todos os habitantes da cidade foram salvos pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Quando ficam sabendo que o repórter é brasileiro, muitos balançam a cabeça em sinal de desaprovação e perguntam por que o Brasil se absteve na votação do Conselho de Segurança da ONU que autorizou a zona de exclusão aérea.  

Os líbios são fanáticos por futebol e, por isso, têm - ou tinham - apreço pelo Brasil. Agora, tentam entender por que esse apreço, na sua interpretação, não é retribuído. "O governo brasileiro apoia Kadafi", constata Shekey. "Deve ser por causa de dinheiro. Talvez vocês tenham medo de que seus investimentos sejam prejudicados."
Bons e maus países
Mohamed Sherif, de 50 anos, prefere lembrar que há uma diferença entre o governo e o povo de um determinado país . "O governo brasileiro é mau, mas o povo é bom."
Abdul Fatah, professor de geografia de 32 anos, tira lições parecidas da votação no Conselho de Segurança da ONU. "China, Rússia, Brasil, Alemanha e Índia são maus", afirma ele, enumerando os cinco países que se abstiveram na votação, que não teve votos contra. "Inglaterra e EUA são bons. E Sarkozy é o número 1."
França e Inglaterra protagonizaram a preparação do esboço da resolução e pressionaram por sua aprovação no Conselho de Segurança da ONU, na quinta-feira. Dois dias depois, Paris foi anfitriã de uma reunião que mobilizou países árabes e ocidentais para acertar os últimos detalhes da intervenção militar na Líbia.
O dentista Mortala Bujazi, de 27 anos, tem uma explicação mais elaborada. "Brasil e Índia não entendem o que acontece aqui. Vocês estão confusos, acham que a oposição pegou em armas para lutar contra o governo. Não é isso", diz. "Todos os líbios rejeitam Kadafi. A luta é entre o povo líbio e a família de Kadafi."
Zona de exclusão aérea
O estudante de engenharia Monir Kraimesh, de 23 anos, que mora na parte sudoeste de Benghazi, conta que viu as forças leais ao coronel Kadafi aproximando-se da cidade. "Achei que destruiriam tudo, que todos nós morreríamos."
Kraimesh e todos os habitantes da região de Benghazi com quem o Estado conversou acreditam que a zona de exclusão aérea seja muito importante para evitar o avanço das tropas leais a Kadafi. Para livrar-se dele, entretanto, os opositores precisarão de mais apoio da comunidade internacional. "Somos mais de 6 milhões. Eles são apenas uns 10 mil. O que eles têm são armas pesadas", afirma Mohamed Abdullah, um engenheiro de 36 anos.
Caça a Kadafi
Ontem, moradores de Jarrotha, vilarejo a 30 quilômetros de Benghazi, onde os veículos foram destruídos por um míssil, colocaram a cabeça de uma cabra na grade do motor do caminhão. "Se nos derem armas, arrancaremos a cabeça de Kadafi, como a dessa cabra", garantiu Abdullah.

Radiação em alimentos no Japão é mais grave do que se pensava, diz OMS

Avaliação ofusca notícia sobre avanços nas tentativas de resfriamento dos reatores de Fukushima



Engenheiros conseguiram conectar cabos de energia a todos os seis reatores do complexo de Fukushima, 240 quilômetros ao norte de Tóquio, e ligaram uma bomba de água em um deles para reverter o superaquecimento que desencadeou a pior crise nuclear mundial em 25 anos.
Mais tarde alguns trabalhadores foram retirados de um dos reatores mais seriamente danificados quando uma fumaça emergiu brevemente do local. Não houve nenhuma explicação de imediato para a fumaça, mas autoridades haviam dito anteriormente que a pressão no reator 3 está aumentando.
Também foi vista fumaça no reator 2.
O sismo e o tsunami de 11 de março deixaram mais de 21 mil mortos ou desaparecidos e custará 250 milhões de dólares a uma economia já combalida, o que representa o desastre natural mais caro do mundo.
O chefe da agência atômica da ONU disse que a situação nuclear continua muito séria, mas que será resolvida.
"Não tenho dúvida de que esta crise será superada eficientemente", declarou Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em uma reunião do comitê de emergência.
"Vemos uma luz para sair desta crise", disse uma autoridade do governo japonês citando o primeiro-ministro Naoto Kan.
Mas as notícias de progresso na usina nuclear foram eclipsadas pela preocupação crescente de que partículas radioativas já liberadas na atmosfera tenham contaminado fontes de alimento e água.
"Está claro que a situação é séria", disse Peter Cordingley, porta-voz do escritório regional do Pacífico Oriental da OMS sediado em Manila, à Reuters em uma entrevista por telefone.
"É muito mais sério do que qualquer um pensava nos primeiros dias, quando achávamos que este tipo de problema pode estar limitado a 20 ou 30 quilômetros... é seguro supor que uma parcela de produtos contaminados tenha saído da zona de contaminação."
Ele disse entretanto não haver evidência de que alimentos contaminados oriundos de Fukushima tenham chegado a outros países.
Fukushima é o pior acidente nuclear do mundo desde Chernobyl, mas há sinais de que seja bem menos grave do que a tragédia ucraniana.
"As poucas medidas de radiação relatadas nos alimentos até agora são muito mais baixas do que ao redor de Chernobyl em 1986, mas o quadro total ainda está emergindo", disse Malcolm Crick, secretário do Comitê Científico dos Efeitos da Radiação Atômica da ONU à Reuters.



Mais comum nas áreas rurais, trabalho degradante cresce em obras

Alojamentos da Goldfarb e Odebrecht

[Trabalho Escravo]

( Marília Rocha, de Campinas)
Doente e dividindo com outros 28 operários um dormitório onde só cabem dez pessoas, Josivaldo Santos Batista, 37, foi flagrado na periferia de Campinas há uma semana em condições degradantes de trabalho –situação que, no interior de São Paulo, era comum apenas nas áreas rurais.
Na região, a exploração de trabalhadores como Batista está migrando das lavouras de cana de açúcar para a construção civil, segundo o Ministério Público do Trabalho em Campinas.
O crescimento da mecanização no campo, o aquecimento do setor imobiliário e a “profissionalização” de agenciadores que buscam mão de obra barata são apontados como fatores decisivos para essa mudança.
Contrariando determinações trabalhistas, os alojamentos desses operários não têm condições de higiene, ventilação nem conforto mínimo como camas –substituídas muitas vezes por colchões no chão.
Nos casos mais graves, o trabalhador é aliciado com promessas de trabalho ou salário bem diferentes dos encontrados na prática. Outro agravante é a restrição de mobilidade -quando patrões retêm documentos para impedir que o trabalhador consiga outro emprego.
SEM ÁGUA
Batista saiu da Bahia em outubro com a promessa de ganhar R$ 800 por mês, mas nunca recebeu mais do que R$ 600 -ele diz que, muitas vezes, parte do salário é descontada sem razão aparente.
“A gente dormia embolado e mal, depois trabalhava o dia todo, às vezes sem nem beber água”, conta ele.
Rerison Charles da Silva Santos, que trabalha na construção de escola em Hortolândia (SP), disse que ele e colegas receberam comida estragada: “Eu não sou de comer carne estragada.”
“Há oito anos, recebíamos uma denúncia semanal nas lavouras de cana de açúcar e praticamente nenhuma na construção civil. Hoje, é exatamente o inverso”, afirma a procuradora do Ministério Público Eleonora Coca.
Desde fevereiro, o órgão flagrou trabalhadores em situação degradante em seis obras em Campinas.
Entre elas, estão uma escola estadual sob responsabilidade da construtora Itajaí, uma obra de galpões da Norpal, um condomínio residencial da MRV e outro da Goldfarb e da Odebrecht.
Para um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Campinas e Região, Paulo Martins, a situação piorou com o aquecimento do setor.
“Depois que lançaram incentivos à construção, tem muita gente precisando de trabalhador, e outros se aproveitando disso”, afirma.
OUTRO LADO
O diretor da Norpal Norberto Paller, que emprega Josivaldo Santos Batista, culpa a pouca oferta para locação e os próprios funcionários. “Eles muitas vezes não cuidam do seu ambiente”, diz.
A Staldach Montagens Industriais, contratada pela Norpal para prestar serviços na montagem de estruturas, diz que o alojamento em que Batista está foi reformado.
O empreiteiro responsável, que se identificou como Leoni, afirma que não levará mais operários por não ter como cumprir as exigências.
Para o diretor da regional Campinas do sindicato da construção civil, Luiz Cláudio Amoroso, as pequenas empreiteiras –que contratam parte dos operários– enganam as construtoras.
“O empreiteiro coloca o trabalhador em moradias sem condições, e quando chega a multa quem paga é a construtora”, diz.
A Itajaí, responsável pela obra de uma escola estadual em Hortolândia, afirma que cumpriu acordo com o Ministério Público do Trabalho e contratou diretamente os funcionários. “O problema foi pontual”, diz Carlos José Ramires, gerente técnico.
Sobre a alimentação dos operários, diz que a empresa responsável foi trocada e que não houve “registro formal de alimentos estragados”.
A MRV afirma que já solicitou a desativação de alojamentos superlotados e que intensificará as fiscalizações nas empresas parceiras.
Goldfarb e Odebrecht dizem que se responsabilizaram pelos trabalhadores pagando salários e regularizando os alojamentos.

Religiosos sofrem ameaças de morte

O Regional Norte II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – sediado em Belém – expressou, ontem, por meio de uma nota, a sua preocupação com a segurança dos missionários e missionárias defensores dos Direitos Humanos que trabalham no Pará e Amapá, que estão ameaçados de morte, mas “não estão recebendo a devida proteção do Estado”.
A nota cita matéria publicada na revista Carta Capital, na edição de 9 de março, em que a irmã Maria Henriqueta Cavalcante, da Comissão de Justiça e Paz do CNBB-2, aparece como umas das 13 pessoas ameaçadas de morte no Pará (incluindo bispos, religiosos e leigos) que não estariam recebendo a devida proteção, apesar dos pedidos já feitos e da inclusão dela no Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Governo Federal, realizado em parceria com os Estados
A nota denuncia que já foi solicitado à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) proteção aos defensores de direitos humanos e que os pedidos já foram autorizados, “mas até o momento não receberam a devida assistência do poder público”.
A irmã Maria Henriqueta vem recebendo ameaças por telefone há dois anos, desde que contribuiu para os trabalhos da CPI da Pedofilia da Assembleia Legislativa do Estado que resultou na condenação do ex-deputado estadual Luiz Sefer a 21 anos de prisão. Contatada pelo DIÁRIO no início da noite de ontem, a irmã não pôde se manifestar porque estava passando por uma crise de pressão alta.
À Carta Capital, o defensor público Márcio Cruz, coordenador regional do Programa Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, afirma que somente sete militantes são protegidos no Pará por “falta de estrutura”.
O QUE DIZ A SEGUP
O secretário de Segurança Pública do Estado, Luiz Fernandes Rocha, informou que um policial civil já foi destacado para acompanhar a irmã Henriqueta. Ele reconheceu que o Estado “não tem policiais suficientes para cada um dos ameaçados”. “Os policiais estão se desdobrando para atender a população, mas não dá para fabricar policiais”,
O secretário disse que não recebeu até agora pedidos de apuração das ameaças.  (Diário do Pará)

A Luta



Eduarda Vieira, índia Tuxá de Rodelas, Bahia.
Com o tempo tudo foi ganhando sua forma, voz e cor, o ensinamento passado por gerações durante anos ganharam sua força, as crenças, tradições e as histórias contadas pelos mais velhos foram constituindo silenciosamente a minha identidade étnica.
Confesso que andei alheia à situação e às tradições; observava de fora as coisas acontecerem sorrateiramente. A armadilha do envolvimento de índio com branco estava montada e aos poucos a droga, o álcool e a tristeza foram tomando espaço daquilo que antes era pureza e inocência.
Por tantas vezes enxerguei no meu povo a face da dor e da derrota perante a discriminação, porém a vida que vivemos é entendida de diversas formas e só depende de como e do ângulo em que se vê. Entendendo isso pude avistar em meio à dor e à pressão de ver nossa cultura sendo posta à prova a Glória dos 500 anos de luta, luta esta digna apenas de guerreiros que anseiam por um mundo melhor e a preservação da natureza. Luta injusta, talvez, pois formamos a minoria,vítima de toda uma massa de preconceitos por pura ignorância e desconhecimento do que realmente somos.
Mas hoje, a cada vez que bato forte o pé no chão sob o ritmo dos maracás e das vozes agudas do meu povo, eu posso sentir a terra tremer em sintonia com o bater do meu coração, e é como se o mundo gritasse pra mim aquilo que eu mesma sei desde que nasci:
Eu sou índia Tuxá e não posso fugir da luta!
A batalha pode ser desigual, e as marcas do preconceito podem ser profundas, mas o sonho e a esperança nos movem a seguir em frente, lutando por nossas terras e pelo espaço que merecemos. Assim, a nossa luta só estará perdida quando estiver exterminada a nossa nação!

( por Eduarda Tuxá)


http://www.indiosonline.org.br/

A cada 2 minutos, 5 mulheres espancadas


Apesar de chocante, nº vem caindo nos últimos anos – eram 8 há uma década; 8% dos homens admitem já ter agredido a companheira
Pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc projeta uma chocante estatística: a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. E já foi pior: há 10 anos, eram oito as mulheres espancadas no mesmo intervalo.
Realizada em 25 Estados, a pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado ouviu em agosto do ano passado 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos. Aborda diversos temas e complementa estudo similar de 2001. Mas a parte que salta aos olhos é, novamente, a da violência doméstica.
“Os dados mostram que a violência contra a mulher não é um problema privado, de casal. É social e exige políticas públicas”, diz Gustavo Venturi, professor da USP e supervisor da pesquisa.
Para chegar à estimativa de mais de duas mulheres agredidas por minuto, os pesquisadores partiram da amostra para fazer uma projeção nacional. Concluíram que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões – 1,3 milhão nos 12 meses que antecederam a pesquisa (veja acima).
A pequena diminuição do número de mulheres agredidas entre 2001 e 2010 pode ser atribuída, em parte, à Lei Maria da Penha. “A lei é uma expressão da crescente consciência do problema da violência contra as mulheres”, afirma Venturi.
Entre os pesquisados, 85% conhecem a lei e 80% aprovam a nova legislação. Mesmo entre os 11% que a criticam, a principal ressalva é ao fato de que a lei é insuficiente.
Visão masculina. O estudo traz também dados inéditos sobre o que os homens pensam sobre a violência contra as mulheres. Enquanto 8% admitem já ter batido em uma mulher, 48% dizem ter um amigo ou conhecido que fizeram o mesmo e 25% têm parentes que agridem as companheiras. “Dá para deduzir que o número de homens que admitem agredir está subestimado. Afinal, metade conhece alguém que bate”, avalia Venturi.
Ainda assim, surpreende que 2% dos homens declarem que “tem mulher que só aprende apanhando bastante”. Além disso, entre os 8% que assumem praticar a violência, 14% acreditam ter “agido bem” e 15% declaram que bateriam de novo, o que indica um padrão de comportamento, não uma exceção.
Na infância. Respostas sobre agressões sofridas ainda na infância reforçam a ideia de que a violência pode fazer parte de uma cultura familiar. “Pais que levaram surras quando crianças tendem a bater mais em seus filhos”, explica Venturi. No total, 78% das mulheres e 57% dos homens que apanharam na infância acreditam que dar tapas nos filhos de vez em quando é necessário. Entre as mulheres que não apanharam, 53% acham razoável dar tapas de vez em quando.
Flávia Tavares
Enviado por Corrente1.